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| Foto: Ricardo Rafel |
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COMBUSTÍVEL
Alta do gás eleva taxa de condomínio
O ano de 2008 começa com o gás liquefeito de petróleo (GLP) 15% mais caro para consumidores de grandes quantidades do produto, como comércio, indústria e condomínios. Além de deixar taxas de condomínio mais caras, o aumento deve elevar os preços de vários produtos, pois aumentará os custos de produção de indústrias como cerâmica e panificação no Centro-Oeste, que ainda não têm no gás natural uma alternativa economicamente viável. O aumento não atinge botijões de 13 quilos. O reajuste foi recebido com surpresa pelos distribuidores de GLP na última sexta-feira. “Tudo apontava para uma estabilidade dos preços”, disse o presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Sérgio Bandeira de Mello. |
Mas, segundo ele, ainda não é possível projetar qual será o índice a ser repassado ao consumidor, pois o mercado é livre e tudo depende da negociação com os clientes. Porém, ele acredita que não há muitos estoques para represar preços.
O consumo de GLP ultrapassa 5 mil toneladas mensais de gás em Goiás. O gerente de Logística da Ultragaz no Estado, Alexandre Pereira, disse que a empresa está negociando com seus clientes e analisando seus custos operacionais, principalmente de logística e distribuição, para ver se poderá absorverá uma parte do aumento. Os novos preços cobrados, que variam conforme o cliente e o volume comercializado, serão definidos ainda na primeira quinzena de janeiro. Já a Liquigás, que comercializa 32% de todo gás vendido na Grande Goiânia, informa que o aumento de 15% já está em vigor por se tratar de um repasse da refinaria.
Menos competitividade
A indústria cerâmica está entre as mais prejudicadas pelo aumento. O gerente de Projetos e Energia da Cecrisa, Dic Freire, disse que a empresa discutia esse aumento com a Petrobras há algum tempo. Para ele, o reajuste produzirá um impacto no preço final do produto, reduzindo a competitividade da indústria num mercado cada vez mais agressivo. “O produto nacional perde competitividade frente ao importado e ao nacional que não utiliza esse insumo”, destaca Dic.
Ele explica que o gás natural ainda não é uma alternativa economicamente viável na unidade da Cecrisa em Anápolis, porque chega na forma liquefeita em caminhões e com custo mais alto que no transporte por duto. Agora, a empresa deve fazer as contas e avaliar se vale a pena fazer a opção pelo gás natural liquefeito em Goiás, mas que também pode sofrer reajuste em breve. “Isso vai significar aumento de custos na unidade de Anápolis, nossa única do País que utiliza o GLP.”
Padarias e condomínios
Panificadoras e condomínios também prevêem aumento de gastos. O presidente do Sindicato da Indústria de Panificação em Goiás (Sindipão), Luiz Gonzaga, lembra que 95% das padarias utilizam o GLP para o aquecimento de fornos. Mas apenas as grandes utilizam vasilhames maiores de 20, 45 ou 90 quilos, que ficarão mais caros, e perderão competitividade frente às que usam o botijão de 13 quilos. Ele considera o aumento de 15% muito elevado diante dos baixos índices de reajuste obtidos pelos produtos.
Para as empresas, o maior desafio é repassar o custo ao consumidor final. O proprietário da Panificadora Mundial, Juliano Evangelista de Souza, lembra que o consumo de gás tem o mesmo peso do consumo de energia para o setor, que utiliza o GLP para tudo. Para ele, o reajuste é muito pesado e pode impactar nos preços finais dos produtos. “Tentaremos não repassar ao consumidor enquanto for possível, mas o setor já foi prejudica pelo aumento da farinha em 2007 e perdeu rentabilidade”, diz o empresário.
Os condomínios de Goiânia foram pegos de surpresa com o anúncio do aumento, mas reconhecem que o repasse para as mensalidades será inevitável. O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Marcelo Baiocchi, lembra que quase 80% dos condomínios de Goiânia contam com instrumentos de medição individual do consumo de gás e terão impacto pequeno do reajuste. Mas nos demais condomínios, onde as despesas com água, luz, gás e pessoal representam 90% dos gastos, síndicos terão de recompor suas planilhas e repassar o aumento para os moradores.
Matéria extraída do Jornal O Popular / Caderno: Economia - Dia 03/01/08
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